Os think tanks como sistemas estratégicos de apoio à decisão nas políticas públicas do Norte de África
O caso de Marrocos
DOI:
https://doi.org/10.23882/rmd.26328Palavras-chave:
Think Tanks, Public Policy, North Africa, VUCA Paradigm, Evidence-based policymaking, Civil Society, Strategic ForesightResumo
As revoltas árabes no Norte de África obrigaram os Estados a sobreviver num ambiente caracterizado pela volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade (o paradigma VUCA). Estas mudanças afetaram profundamente os modelos de governação centralizados, que se baseavam na intuição de cima para baixo e não conseguiram gerir estas crises interligadas sem uma capacidade institucionalizada de previsão. Através deste artigo, analisa-se a mudança ontológica dos institutos de políticas na região do Norte de África, tendo em conta que os think tanks estão a evoluir das tradicionais «fábricas de ideias» para «sistemas institucionalizados de apoio à decisão estratégica». Tomando Marrocos como principal caso de estudo, a análise centra-se na arquitetura institucional dos think tanks de elite (tais como o IRES e o PCNS) e no papel que desempenham enquanto sistema nervoso cognitivo do Estado, filtrando o ruído informativo para otimizar a tomada de decisões públicas e garantir a estabilidade. Por outro lado, esta investigação revela um desequilíbrio significativo em termos de influência: embora o Estado tenha em consideração as perspetivas de nível macro produzidas pelas instituições de elite, as recomendações políticas baseadas em dados concretos, geradas pela sociedade civil de base e pelas organizações juvenis, estão a ser ignoradas. Este artigo defende que, para uma elaboração de políticas baseada em dados concretos que compreenda as realidades no terreno e que promova a resiliência territorial, o Estado deve democratizar os seus processos cognitivos, ligando assim a estratégia soberana à governação local.Referências
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