Neuroeducação: a construir pontes entre a neurociência e a aprendizagem de Ciências

Autores

  • Paula Cristina Pereira Costa Externato Ribadouro, Porto, Portugal (paula.ccosta@gmail.com)

DOI:

https://doi.org/10.23882/NE2142

Palavras-chave:

aprendizagem espaçada, conceções alternativas, inibição, mudança conceptual

Resumo

A sinergia entre educação e neurociência, também designada neuroeducação, não se alcança sem percalços nem barreiras, que surgem da ambição de articular duas linguagens, dois campos teóricos e duas áreas de investigação efetivamente distintas. Vários estudos têm vindo a ser realizados, no entanto, o número de pesquisas que se debruçam especificamente sobre os mecanismos cerebrais ligados à aprendizagem de ciências é ainda reduzido.

Neste artigo abordam-se algumas dessas investigações, particularmente a determinação do papel da inibição na aprendizagem e na concretização de mudanças conceptuais, assim como a implementação da aprendizagem espaçada. Da análise destes estudos, pode-se recolher algumas pistas acerca das estratégias mais adequadas para realizar uma aprendizagem efetiva e duradoura, nomeadamente a estimulação de processos de competição cognitiva entre os conceitos cientificamente corretos e os incorretos a par da memorização, que parece constituir-se como uma fase necessária para promover a mudança conceptual.

Não obstante, é fundamental ter em mente que não existem formulas mágicas e, que quando o tema é aprendizagem, não se poderá negligenciar a individualidade, nem as múltiplas dimensões dos contextos em que os alunos se inserem.

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Publicado

2021-07-07

Como Citar

Costa, P. C. P. (2021). Neuroeducação: a construir pontes entre a neurociência e a aprendizagem de Ciências. RevistaMultidisciplinar, 3(2), 49–59. https://doi.org/10.23882/NE2142