A peste negra e as crenças religiosas

Conflito Ciência e Religião

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23882/rmd.22093

Palavras-chave:

autoflagelação, peste bubónica, religião, rituais fúnebres

Resumo

A peste negra surgiu no século XIV na Europa, desencadeada pela bactéria Yersinia pestis transmitida pelas pulgas e rato-negro (Rattus rattus), sendo que a disseminação da doença ocorreu de forma rápida pelas rotas comerciais da seda e de especiarias. O alto índice de contágio e mortalidade levou muitas pessoas a apoiarem-se na religião pois acreditavam, que através desta, se salvariam. À época, como o conhecimento científico, sobre este tipo de doenças era escasso, a população acreditava numa relação entre medicina e religião, considerando a peste negra como um castigo divino pelos pecados cometidos, criando deste modo um problema social grave. Ao longo da história, a Igreja Católica, alegadamente, poderá ter sido um fator limitante ao desenvolvimento do conhecimento científico. A ignorância e a fé desmedida terão conduzido a consequências graves, como a perseguição e assassinato de inocentes em nome da fé, sendo deste modo responsável por um elevado número de mortos na Idade Média ao incentivar a eliminação dos judeus na Europa, como uma necessidade de se redimirem pelos pecados.
Neste texto pretendemos apontar os principais contributos para o desenvolvimento do conhecimento sobre esta patologia bem como a sua relação com a religião, as teorias difundidas pela Igreja e a crença cega do povo nas mesmas, para alcançar o perdão de Deus. A Religião pode ser um entrave ao conhecimento científico, impedindo o avanço da Ciência, além de conduzir as pessoas a cometerem atitudes erróneas e perversas para alcançar os seus objetivos.

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Publicado

2022-02-16

Como Citar

Carneiro-Carvalho, A., & Rodrigues, I. (2022). A peste negra e as crenças religiosas: Conflito Ciência e Religião. RevistaMultidisciplinar, 4(2), 5–19. https://doi.org/10.23882/rmd.22093